💊 Medicações GLP-1 para emagrecimento provocam shift nos procedimentos estéticos demandados
Análise mostra que medicações GLP-1 (semaglutida) para emagrecimento rápido mudam padrão de demanda em procedures: pacientes buscam menos volume e mais skin quality e tratamento de flacidez.
💡 Clínicas que se posicionarem em 'estética pós-GLP-1' ganham; risco para clínicas centradas só em preenchedores de volume; oportunidade em skin tightening, colágeno e lifting.
📰 Trecho da matéria original (Estadão Blue Studio (via Google News)). Continue a leitura na fonte.
Cirurgias plásticas, cosméticos, lasers, injetáveis e suplementos passam a ser direcionados para o cuidado de quem está emagrecendo com os análogos de GLP-1. A nova era da beleza passa pelo reconhecimento das mudanças expressivas provocadas pelo emagrecimento acelerado
A popularização dos medicamentos análogos de GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e de outras condições metabólicas, está provocando uma transformação que vai muito além da balança. À medida que um número crescente de pessoas passa por perdas expressivas de peso, a indústria da beleza começa a adaptar produtos, procedimentos e protocolos para lidar com um novo tipo de demanda: o corpo que emagreceu rapidamente e precisa ser cuidado durante e depois desse processo.
“Flacidez, excesso de pele e desproporções são comuns após o emagrecimento acelerado e podem afetar a autoestima. É nesse ponto que o acompanhamento médico se torna ainda mais importante. O trabalho não se limita a prescrever medicamentos, mas envolve estratégias para preservar massa magra, prevenir deficiências e melhorar a qualidade da pele”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.
“Pessoas que eliminaram 20, 30 ou até 80 kg muitas vezes se veem diante de um corpo que apresenta flacidez, tem excesso de pele, e não representa a força da conquista. Para esses pacientes, a estética funciona como parte do processo de recuperação da autoestima”, explica o cirurgião plástico Dr. Carlos Manfrim, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). “Na prática, o que observamos é que, embora o emagrecimento seja um objetivo desejado por muitos, a perda rápida e significativa de peso pode deixar marcas físicas difíceis de ignorar: flacidez, excesso de pele e mudanças no volume facial”, explica a Dra. Beatriz Lassance, membro da SBCP.
A mudança já é observada no mercado internacional. Se inicialmente a reação esteve concentrada no chamado “Ozempic face”, associado à perda de volume facial e à flacidez percebida após emagrecimento, a tendência agora é caminhar para estratégias preventivas, personalizadas e desenvolvidas especificamente para as mudanças provocadas pela perda de peso. “O impacto vai além da face e pode afetar todo o corpo. Além disso, afeta as estruturas de sustentação: ossos, músculo e tecido adiposo”, comenta a farmacêutica Patrícia França, gestora científica da Biotec.
A transformação atinge diferentes setores simultaneamente. Dos cosméticos às cirurgias, passando pelos suplementos, procedimentos tecnológicos e injetáveis, a mudança no mercado de beleza está acelerada, pois no momento há uma mensagem clara: o corpo muda mais rápido do que a pele. No mercado cosmético, chamam atenção produtos como PDRN DNA Concentrate, da Ada Tina, com PDRN 100% vegano, extraído do embrião de cereais. “Essa nova tecnologia oferece uma ação biorregenerativa, rejuvenescedora e clareadora superior à do PDRN de origem animal, aliando alta performance, segurança e sustentabilidade”, explica o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, especialista em cosmetologia e CEO da Ada Tina. “O ativo ainda vai além da superfície da pele graças a exclusiva tecnologia DNA BLOCKS, que age como um verdadeiro adesivo biológico, reforçando a união entre derme e epiderme. Assim, o sérum é capaz de combater o derretimento facial ou ‘Ozempic Face’”, acrescenta o Dr. Maurizio.
Quanto aos procedimentos, embora pareça contraditório, a primeira grande transformação é estimular gordura! Mas, claro, no rosto. “No passado, não tão distante assim, as pessoas buscavam muito por tratamento de (redução de) gordura. Hoje as pessoas buscam muito por tratamento de flacidez e estímulo de gordura, que é a adipogênese”, explica a dermatologista Dra. Daniela Aidar, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP). A médica explica que algumas plataformas de ultrassom microfocado, tecnologia estética que é utilizada para combater flacidez e até reduzir gordura, passaram a ser utilizadas em um conceito praticamente oposto: modular o tecido adiposo para recuperar discretamente a espessura da camada de gordura em regiões específicas da face. “O ultrassom microfocado, que antes era chamado de HIFU (High- Intensity Focused Ultrasound ) hoje é chamado, nessa nova configuração, de Low -Energy Focused Ultrasound.
Ainda não sabemos exatamente todos os mecanismos biológicos envolvidos, mas o que os estudos mostram é que o ultrassom microfocado, utilizado em baixas energias, parece estimular sinalizações celulares capazes de ‘despertar’ células-tronco do tecido adiposo, promovendo um espessamento dessa camada”, explica a Dra. Daniela. Isso é importante, pois o “esvaziamento” das células faciais de gordura faz o rosto cair. “Os compartimentos de gordura da face são responsáveis por dar volume, sustentação e contorno ao rosto. Além de proteger os músculos e os ossos da face. É como se eles fossem o ‘recheio’ do nosso rosto. Sem eles, a pele ‘sobra’ e ‘cai’”, explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da SBD. “O modo de adipogênese do ultrassom microfocado Linear Z faz uma biomodulação das células de gordura. O estímulo térmico estimula a regeneração do tecido adiposo em profundidades específicas. Com isso, as células de gordura voltam a ficar “normais” (adipócitos saudáveis)”, explica a Dra. Paola.
A dermatologista Dra. Adriana Cairo, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, speaker da Vydence ® e professora de laser da Residência de Dermatologia do Hospital Heliópolis, explica que os protocolos incluem a associação de técnicas, com o smartlaser Zye e a biorremodelação do Profhilo, que atuam com o objetivo de melhorar a qualidade e hidratação da pele. “A ponteira YAG 5-15 é utilizada com foco na remodelação do colágeno e a ponteira 1340 nm, um laser não ablativo, pode contribuir para a melhora da densidade da pele. O handpiece de picossegundos ajuda a tratar textura e manchas. Após um intervalo de aproximadamente 15 a 20 minutos, o Profhilo é aplicado. Ele é o único biorremodelador injetável à base de ácido hialurônico e estimula mecanismos relacionados à melhora da qualidade, hidratação e estrutura da pele”, comenta a Dra. Adriana Cairo. O dermatologista deve ser consultado o quanto antes. “Os tratamentos dermatológicos mais indicados são as tecnologias capazes de aumentar a densidade da pele, como o Xerf, que é uma tecnologia de radiofrequência de segunda geração e que age na superfície e na profundidade dos ligamentos. Quanto antes o tratamento for iniciado, melhor. Até porque hoje se entende que o Mounjaro pode agir em receptores hormonais da pele, diminuindo ou dificultando a produção de colágeno”, esclarece a dermatologista Dra. Flávia Brasileiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
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