🇧🇷 Brasil fortalece inovação em dermocosméticos — por que usar produtos estrangeiros se há capacidade científica local?
Artigo analisa como o Brasil, historicamente fornecedor de commodities e matérias-primas, está posicionando-se como criador de soluções de skincare pensadas para clima tropical, genética e bioma locais.
💡 Oportunidade de supply chain e P&D autônomo em skincare oferece vantagem competitiva para marcas e clínicas brasileiras que querem diferenciar-se no mercado regional e global.
📰 Trecho da matéria original (Cosmetic Innovation). Continue a leitura na fonte.
Por que usar dermocosméticos desenvolvidos na Coreia, na Europa ou nos Estados Unidos, se temos capacidade científica para criar produtos para a nossa realidade?
Durante muito tempo, o Brasil foi visto principalmente como um dos grandes mercados consumidores de beleza. Mas acredito que o país pode desempenhar um papel ainda mais estratégico: ser um dos lugares onde o futuro do skincare é estudado, compreendido e antecipado.
Os números mostram que o Brasil tem escala e uma relação muito forte com o cuidado com a pele. Segundo a ABIHPEC, somos o terceiro maior mercado mundial de beleza e cuidados pessoais, um setor que representa 2% do PIB nacional e 45% do mercado latino-americano. Além disso, o estudo da Mindminers mostrou que 76% da população mantém o hábito de cuidar da pele diariamente, mostrando que o skincare já faz parte da nossa cultura.
Se o Brasil já é uma potência em consumo e está entre os países que mais inovam e lançam produtos, talvez a pergunta não seja apenas quanto o brasileiro consome, mas quanto conhecimento somos capazes de produzir sobre a nossa própria pele.
Quando pensamos em um produto de skincare, é comum imaginar que tudo começa com uma fórmula. Na realidade, ela é apenas a parte mais visível de uma cadeia que envolve pesquisa, testes e desenvolvimento. E, antes de tudo isso, existe uma pergunta fundamental: o que a pele vai precisar amanhã?
Essa é uma das ideias que orientam o trabalho do Brazilian Innovation Center, conhecido como BIC, o centro de inovação do Grupo Pierre Fabre no Brasil, detentor das marcas Avène, Ducray e Darrow. Mais do que desenvolver produtos, o desafio é ampliar a compreensão sobre as características da pele dos consumidores da região e transformar esse conhecimento em soluções.
Por trás de uma nova fórmula, existe uma combinação de pesquisa, testes de segurança, avaliação de matérias-primas, questões regulatórias e estabilidade da fórmula. O estudo de novos ativos também pode levar anos. Inovar, portanto, não é apenas lançar novidades, mas começar hoje a desenvolver soluções que podem chegar ao mercado muito mais adiante.
E é justamente aí que surge uma questão: por que fazer tudo isso no Brasil?
Porque o país oferece condições muito particulares para estudar a pele. Há uma grande diversidade de fototipos, miscigenação, diferentes condições climáticas, calor, umidade e alta exposição solar. Tudo isso influencia diretamente as necessidades dos consumidores.
Também temos um consumidor cada vez mais interessado em saber se aquilo que está comprando realmente funciona. Uma pesquisa da Mintel mostra que 38% dos brasileiros concordam que a comprovação científica é um fator importante na escolha de um produto de beleza.
Isso muda a forma como pensamos em inovação. Não basta usar um ativo da moda ou prometer resultados rápidos. Para entregar um produto que realmente funcione, é preciso investir em pesquisa, testes e avaliação dermatológica. Profissionais de saúde participam desse processo para garantir que o produto seja seguro, eficaz e adequado para a pele.
Às vezes, o desafio pode parecer simples, mas não é. Como desenvolver, por exemplo, uma vitamina C pensada para a pele oleosa, que ofereça alta ação antioxidante sem deixar a pele ainda mais pesada? Um exemplo é a Actine Vitamina C, de Darrow, desenvolvida com ação equivalente a 15% de vitamina C e controle da oleosidade. Em um estudo de 28 dias, 90% dos voluntários perceberam redução das marcas de acne e 84% perceberam redução das linhas finas. A resposta não está apenas na escolha de um ingrediente, mas na combinação entre ativo, concentração, veículo, estabilidade, textura, segurança e eficácia.
[…]
Mais desta edição
- 💉 Novo injetável de perda de peso da Eli Lilly mostra 50 kg de redução em teste clínico
- ⚖️ FDA alerta marca de injetável por publicidade enganosa no Instagram
- 🔬 Cirurgia holandesa recupera função clitoriana em 90% dos casos após câncer vulvar
- ⚠️ Esteticista multada por posse ilegal de medicamentos prescritos na Irlanda do Norte
- 📈 Homens adotam toxina botulínica em massa — "Brotox" explode nos EUA
- 🧪 PDRN e NMN — o que há por trás dos novos ativos para a região dos olhos
- 🎪 Glamour Beauty Show 2026 reúne mercado de beleza em Balneário Camboriú
