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Regulação🌆 Edição da Tarde · segunda-feira, 2 de novembro de 2026

♻️ Cadeia de cosméticos levanta alertas sobre direitos humanos e sourcing ético de ingredientes

Investigação aponta preocupações com direitos humanos na extração e processamento de ingredientes utilizados em produtos cosméticos, afetando marcas premium e questionando práticas de supply chain.

💡 Pressão por sourcing ético aumenta custo de produção e diferencia marcas — reguladores tendem a endurecer regras; oportunidade para clínicas e fabricantes posicionarem-se como sustentáveis e éticas, agregando valor.

📰 Trecho da matéria original (Rádio Itatiaia (via Google News)). Continue a leitura na fonte.

A preocupação com a origem dos ingredientes deixou de ser uma questão restrita à sustentabilidade ambiental e passou a ocupar espaço nas discussões sobre responsabilidade social da indústria da beleza. Por trás de maquiagens, hidratantes, batons e outros produtos de uso cotidiano, existem cadeias de fornecimento que podem envolver mineração, agricultura e processamento de matérias-primas em regiões com registros de violações de direitos humanos.

Um levantamento da consultoria Verisk Maplecroft, publicado em outubro de 2026, identificou que seis de oito ingredientes utilizados na indústria cosmética apresentam alto risco socioambiental. Entre os insumos analisados estão óleo de palma, cacau, castanhas de karité, coco, soja e cera de carnaúba. O estudo avaliou questões como trabalho infantil, trabalho forçado, conflitos por terras, desmatamento, poluição e condições de saúde e segurança.

O óleo de palma aparece como a matéria-prima de maior risco no levantamento, seguido pelo cacau e pelas castanhas de karité. A análise também aponta que os problemas relacionados aos direitos humanos são mais graves do que os riscos ambientais entre os oito ingredientes avaliados. Os resultados reforçam uma dificuldade para as empresas: identificar violações que podem ocorrer muito antes de a matéria-prima chegar aos fornecedores diretos das marcas.

A mica é um dos exemplos mais conhecidos de matéria-prima associada a riscos trabalhistas na indústria da beleza. O mineral é utilizado em sombras, iluminadores, blushes e outros cosméticos por sua capacidade de proporcionar brilho e efeitos de pigmentação. Sua extração ocorre em diferentes países, incluindo Índia, Madagascar, Brasil e China, e pode envolver condições de trabalho inseguras, especialmente em operações informais e pouco fiscalizadas.

Um levantamento da organização BSR (Business for Social Responsibility) , voltado aos direitos humanos nos setores de beleza e cuidados pessoais, destaca a ocorrência de trabalho infantil em atividades de mineração de mica.

Segundo o documento, aproximadamente 25% da mica mundial tem origem nos estados indianos de Jharkhand e Bihar, onde mais de 22 mil crianças trabalham em minas, muitas vezes em condições que comprometem a saúde e o acesso à educação.

A situação não se limita aos minerais. O cacau, utilizado em formulações de cremes e outros produtos, também apresenta riscos associados ao trabalho infantil. De acordo com estimativas citadas pela International Cocoa Initiative, cerca de 1,56 milhão de crianças estão envolvidas em atividades classificadas como trabalho infantil nas cadeias produtivas de cacau da Costa do Marfim e de Gana, dois dos maiores produtores mundiais. Parte dessas atividades envolve tarefas perigosas, como o manuseio de ferramentas cortantes.

A manteiga de karité, ingrediente comum em hidratantes, produtos para os lábios e cremes corporais, também exige atenção. A matéria-prima é obtida a partir de castanhas coletadas de árvores que crescem naturalmente em regiões da África Ocidental.

O levantamento da Maplecroft aponta que crianças participam frequentemente da coleta, da quebra das castanhas e do transporte das cargas, em um contexto marcado por informalidade, remuneração baixa e falta de mão de obra adulta.

Um dos principais obstáculos para combater essas violações está na complexidade das cadeias de fornecimento. Entre a extração ou o cultivo de uma matéria-prima e sua utilização em um cosmético, podem existir cooperativas, intermediários, processadores, distribuidores e diferentes fornecedores. Quanto maior o número de etapas, mais difícil pode ser identificar a origem exata do ingrediente e as condições de trabalho envolvidas.

A organização BSR destaca que cerca de 30% dos ingredientes encontrados em produtos de beleza e cuidados pessoais são derivados de commodities agrícolas ou minerais. Óleo de palma, mica e cobre estão entre os exemplos. Em algumas dessas atividades, trabalhadores podem enfrentar jornadas excessivas, salários baixos, discriminação, assédio, riscos à segurança e mecanismos insuficientes para denunciar abusos.

[…]

Fonte: Rádio Itatiaia (via Google News) Ler a notícia completa na fonte ↗

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