⚠️ Clínica de cirurgia plástica no Rio é investigada por mortes e mutilações
Uma clínica no Rio de Janeiro está sob investigação por relatos de mortes e mutilações em cirurgias plásticas. A reportagem indica exposição de pacientes a riscos graves e falhas de documentação de segurança.
💡 Reforça pressão por regulação rigorosa e fiscalização de clínicas; afeta confiança geral no setor e acelera exigências de credenciamento, transparência e conformidade em todo tipo de procedimento.
📰 Trecho da matéria original (G1 (via Google News)). Continue a leitura na fonte.
Polícia investiga mortes e denúncias em clínica de cirurgias plásticas no RJ
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte de três mulheres e apura denúncias de pelo menos 30 pacientes vítimas de violência cirúrgica e complicações graves após procedimentos em uma clínica de estética em Laranjeiras, na Zona Sul da capital. Segundo as investigações, alunos de pós-graduação realizavam intervenções no lugar dos médicos responsáveis, deixando marcas permanentes, deformidades e mutilações.
Entre os casos sob apuração está o da técnica de enfermagem Isabely, de 42 anos, que morreu na mesa de operação após sofrer paradas cardíacas durante uma cirurgia plástica no abdômen. "Minha filha saiu toda animada pra fazer essa cirurgia, toda animada. E antes dela entrar pra sala: 'mãe, já estou indo'. Benção, Deus abençoe, filha. Nunca mais ela voltou pra mim, nunca mais", relata Solange da Silva, mãe da vítima.
O viúvo de Isabely, Cosme Viana, afirmou que o médico responsável comunicou que a paciente apresentou intercorrências sucessivas durante o procedimento. "Ele falou que teve uma complicação. Que aí ela deu uma parada de oito minutos, depois teve que reanimar, aí deu mais uma parada de dois minutos, depois deu uma outra parada", diz. A família descobriu que o profissional responsável pela anestesia se formou em 2023 e não possuía a especialização exigida por lei.
No mesmo endereço, Jéssica, de 32 anos, morreu após dois meses de internação hospitalar em decorrência de infecção generalizada. O marido, Geneir dos Santos, afirma que ela retornou ao local insatisfeita com o resultado de intervenções no peito e na barriga. Antes do reparo, o médico sugeriu uma remodelação costal — técnica proibida no Brasil para finalidades estéticas, que busca afinar a cintura dobrando as últimas costelas e apresenta risco de perfuração intestinal.
A complicação perfurou o órgão da paciente. "Aí virou o nosso pesadelo. O médico falava pra mim que tinha que pegar o intestino, limpar, pra lavar. Aí ele lavava de novo", disse o viúvo, relatando que a lavagem cirúrgica ocorreu pelo menos 20 vezes. "Aí quando a gente pensava que aquela operação deu certo, aí tinha que operar ela de novo."
Convênio sob suspeita e atuação de pós-graduandos
O principal atrativo da clínica Celita Toledo era a oferta de cirurgias plásticas a valores mais baixos, com divulgação em redes sociais promovendo diárias de centro de terapia intensiva (CTI) inclusas nos pacotes. O estabelecimento é alvo de investigação policial há cerca de seis meses; em ações recentes, um sócio e um médico peruano sem registro profissional chegaram a ser detidos e liberados após depoimento.
A apuração identificou a existência de convênios entre a unidade e instituições de ensino que oferecem cursos de pós-graduação em cirurgia plástica no Brasil para médicos formados em outros países da América Latina. O foco é confirmar se os estudantes operavam sem supervisão.
"Existir o convênio entre um hospital e uma instituição de ensino é perfeitamente normal. Eles deveriam ser apenas alunos observadores para aprender as técnicas da cirurgia, mas parece que, além disso, eles operavam e atuavam como cirurgiões formados, a revelia da paciente. E o pior de tudo é que os documentos não dizem isso, os documentos apresentados pelo hospital identificam outro médico como se tivesse sido ele o cirurgião", afirma o delegado responsável pelo caso, Wellington Vieira.
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