⚠️ Ácido hialurônico no pênis: riscos do procedimento que matou homem na Tailândia
Homem faleceu após procedimento com ácido hialurônico para aumento peniano na Tailândia. O caso acende debate sobre segurança de procedimentos íntimos e regulação no Brasil.
💡 Risco médico e regulatório para clínicas que ofereçam procedimentos estéticos íntimos; ANVISA pode sofrer pressão para se posicionar sobre aplicações off-label.
📰 Trecho da matéria original (G1 (via Google News)). Continue a leitura na fonte.
O preenchimento com ácido hialurônico aumenta a circunferência do pênis, mas não o comprimento na ereção.
Em uma primeira sessão, urologistas costumam usar cerca de 8 a 12 ml; o britânico que morreu na Tailândia recebeu 40 ml.
Se o produto entrar em um vaso sanguíneo, pode causar embolia; excesso também pode comprimir tecidos e provocar necrose.
No Brasil, o procedimento é permitido, mas a SBU recomenda que seja feito por urologista com experiência na técnica.
Fimose, infecções, lesões de pele e transtorno dismórfico corporal podem contraindicar a aplicação.
Igho Ubiribo, de 43 anos, recebeu uma aplicação de ácido hialurônico e morreu horas depois — Foto: Reprodução/Instagram
Quarenta mililitros de ácido hialurônico no pênis, quatro vezes o que um urologista costuma aplicar. Foi o que recebeu um influenciador britânico de 43 anos numa clínica de Bangcoc , em março. Horas depois, ele sentiu dor no peito, desmaiou e teve uma embolia pulmonar. Em agosto, um legista de Londres concluiu que o ácido provocou a morte.
No Brasil, injetar ácido hialurônico no pênis é permitido. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) considera a aplicação segura nas mãos de um urologista. O risco aparece por dois caminhos : quem aplica sem formação médica e quem procura o procedimento esperando o que ele não faz.
Preenchimento não deixa o pênis mais comprido
"Quase todo homem que procura o procedimento quer um pênis maior", explica Bernardo Hermanson, urologista e andrologista, membro titular da SBU. O ácido hialurônico não entrega isso . A substância aumenta a circunferência do órgão e dá mais volume quando ele está flácido, mas não muda o comprimento na ereção.
“Se o pênis tem 15 centímetros ereto, ele continuará com os mesmos 15 centímetros depois do preenchimento. O que muda é a espessura e o volume, principalmente quando está flácido”, diz.
O efeito é estético e some sozinho: o corpo reabsorve o ácido em seis meses a um ano , e quem quer manter precisa repetir a aplicação.
Para engrossar o pênis, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a SBU liberam duas técnicas : a injeção de ácido hialurônico e a de gordura retirada do próprio paciente . Nenhuma das duas altera o tamanho na ereção.
Cirurgia é outra conversa. Existem operações para alongar o pênis, mas ficam restritas a poucos casos: micropênis, com menos de 8 centímetros, ou curvaturas graves que impedem a relação.
A restrição existe por causa do risco. Essas cirurgias podem causar perda de sensibilidade ou necrose da glande, quando o sangue deixa de irrigar a cabeça do órgão.
“Um pênis normal e saudável não deve ser operado apenas por estética. Os riscos não compensam o benefício”, afirma Hermanson.
A segurança do preenchimento depende menos do produto do que do lugar onde ele entra. O pênis funciona como um mapa com áreas liberadas e áreas proibidas, e o urologista aplica o ácido apenas nas laterais do órgão, numa camada que não tem vasos sanguíneos. Ali o material fica represado e produz o engrossamento.
O resto do mapa é zona de exclusão. Na parte de baixo passa a uretra, o canal por onde sai a urina. Na parte de cima corre a veia dorsal, que drena o sangue do órgão e fica calibrosa durante a ereção, ao lado dos nervos responsáveis pela sensibilidade. Nenhuma dessas regiões pode receber aplicação.
O instrumento também muda o risco. O preenchimento é feito com cânula, um tubo fino de ponta arredondada que se desloca entre os tecidos sem perfurá-los, justamente para reduzir a chance de atingir um vaso por acidente.
Quando o ácido entra num vaso, ele deixa de ficar parado no lugar e passa a viajar com o sangue. O trajeto termina no pulmão, onde as veias vão se ramificando até virar canais finíssimos, do tamanho aproximado de um fio de cabelo, e é ali que o oxigênio passa para a corrente sanguínea.
O material trava essa passagem . É o que a medicina chama de embolia —o entupimento de um vaso por algo que não deveria estar circulando, seja um coágulo, gordura, ar ou, neste caso, ácido hialurônico. Sem troca de oxigênio, o quadro se agrava em minutos.
O tamanho da obstrução decide o desfecho, e é aí que entra o volume. Os 40 mililitros aplicados em Bangcoc davam material de sobra.
"Uma quantidade pequena que alcance a circulação tende a provocar uma embolia limitada, da qual um paciente jovem costuma se recuperar. Um quadro fatal exige que um volume grande de material chegue aos pulmões", explica Hermanson.
Ubirajara Barroso, vice-presidente da SBU, cita três situações por trás desse tipo de acidente:
a injeção dentro de um vaso, o uso de produto sem procedência ou registro sanitário e o volume excessivo para o espaço disponível, que comprime os tecidos e interrompe a circulação local.
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